Doña Dominga Viognier 2010

Doña Dominga Viognier 2010

A grande uva clara das Côtes du Rhône francesas internacionaliza-se e adquire caráter especial Novo Mundo – graças à sua aptidão para o sol e pelo calor no vinhedo.

A Viognier talvez seja a menos conhecida das grandes uvas brancos do mundo. Ela tem origem, ou pelo ela é mais conhecida por ser a grande uva branca das Côtes du Rhône, onde é usada até mesmo para emprestas seu aroma potente e amanteigado, de fruta supermadura, aos encorpados tintos da região. Ela é também a origem e a razão da mais importante denominação de brancos da região, a Condrieu, berço de algumas das maiores proezas enológicas em brancos e seco.

Em clima de verões secos e quentes, a Viognier amadurece bastante, gerando vinhos intensos e muito aromáticos.
Apesar de sua qualidade e potencial, é uma uva secundária nos caldos brancos que declaram somente a apelação genérica Côtes du Rhône em seus rótulos. Nestes, dominam as claras Clairette, Grenache Blanc, Marsanne, Roussane Bourbolenc, mais populares e menos cotadas.

A Viognier é uma rara uva branca do sol – a maior parte das uvas para vinhos brancos, como a Riesling, a Sauvignon, entre outras, são uvas melhor aclimatadas a regiões frias de onde extraem suas melhores feições. Já a Viognier adapta-se e viceja em regiões de verões quente e de muita luz.

As Côtes du Rhône (literalmente, as barrancas do rio Rhône, ou Ródano, localizadas no sudeste francês, logo ao norte da Provença) são quentes e caracterizam-se pelos densos e alcoólicos vinhos de frutas muito maduras, escuros e corpulentos quando tintos; aromáticos e amarelados quando brancos. Acidez, às vezes, faz falta, nos brancos.

Essa característica faz da Viognier uma forte candidata a se dar muito bem nas principais regiões do Novo Mundo, quase sempre ensolaradas e cálidas, caso de Mendoza, na Argentina e dos principais vales chilenos centrais, áreas de especial interesse para nós brasileiros graças ao Mercosul.

Minúscula prensa mecãnica para ensaios, cheia de cascas e bagaços de uvas Viognier.
Essa adaptação também define sua paleta de descritivos aromáticos, relacionados a frutas muito maduras e açucaradas, como ananás amarelinho, maracujá, mangas etc.

Também adquire potencial para estagiar em carvalho, em que adquire complexidade e caráter. Além das sugestões oxidativas, o caramelo e os tostados das barricas lhe caem bem. É, nos melhores casos, raros brancos de estrutura e longevidade, ao lado dos grandes vinhos de Chardonnay.

Reunimos neste painel de vinhos de preços médios 22 exemplares de varietais de Viognier de diferentes regiões do mundo. Há vinhos de Condrieu, a terra natal da variedade, e também das mais genéricas Côtes du Rhône; do Chile, Argentina, Austrália, África do Sul, do Brasil (diversas regiões), da Espanha e do Uruguai.

Os resultados, invariavelmente ocorre em degustações às cegas, são surpreendentes. Os vinhos conquistaram notas elevadas, um nível muito alto para um universo de brancos desta faixa de preços. Bom. Talvez a Viognier seja mesmo a próxima onda entre os vinhos brancos, que ainda precisam ganhar muito espaço entre os consumidores, em especial o Brasil.

Fonte:Vinho Magazine
Seção: Degustação